(Des)espera

Um campo de flores e a menina se nublando, vida não justificada embebida em tocar o silêncio de uma solidão perpétua, não importa quanta estranheza sintam, as flores ainda serão as flores e a menina ainda choverá à noite. Nenhum ar puro salva o sofrimento calado, a alegria parece indigna quando o sol começa a baixar e a contemplação dói a vista, o riso ausente ainda deita do lado da cabeceira dela porque a noite promete intimidade com o fracasso e o machucado interior expande. Não ensinaram como não esmagar o sonho, como tocar os dias sem a constante auto-sabotagem. Um campo de flores acolhe a menina, mas é arriscado demais se mover.
A vida pede continuação mas não dá pra fugir de si mesmo. Do que se é.

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