Je ne sais quoi

Obscenidade é achar que se pode tentar viver o amor e sair salva.
Silencioso e gritante, o vazio percorre o quarto miúdo e o peito dolorido não reage. 
Há pedaços de solidão nas paredes úmidas. 
Infiltração de um ser apavorado. 
Algumas vozes lá fora. Gargalhada de criança pequena.  
O entardecer em tom de cinza acusando erros grotescos de um coração medroso. 
Logo o céu também chora. 
Existe uma eternidade inteira em cada uma dessas horas e a vontade de fugir é insustentável. 
Eu só quero dormir macio, mas o desperta dor não adormece. 
Um olhar perdido no engano,  entre perfumes doces e tristeza impregnando as rachaduras do teto mofado, somente.
O amor me atordoou no fim do dia.

Comentários

  1. Nem preciso dizer da beleza do poema...
    O que salta aos olhos é a intrínseca beleza de um poema que fala de dor, de desilusão, de desencorajamento...
    O amor é assim... atordoante, mas possui em si próprio, a expectativa de renascer...
    Beijos Simone-Linda-Lima!

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  2. Muito bom Parabéns!

    Beijo, bom domingo

    http://coisasdeumavida172.blogspot.pt/

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