segunda-feira, 14 de novembro de 2016

Espera




Plantei um sofrimento

Eu plantei uma dor
e rego pela manhã
à tarde
à noite 
Angustiada
Está brotando
Sem harmonia
Desabrigada
Sem poesia alguma
Plantei um espírito aflito

já está enraizado
o adeus.

sexta-feira, 9 de setembro de 2016

Je ne sais quoi

Traços riscados na parede suja e o amor enroscado com a mágoa acúmulos de hematomas contendo histórias esquecidas aos poucos a madrugada é sempre silenciosa e fria, mas hoje faz calor lagrimas fervendo ardendo os olhos o abismo claro cegando
quarto encolhendo claustrofobia
mudança sem norte corte
sutura, a amor não tem salvação 
nem cura

A gente fracassa
Se distancia

O amor me atordoou no fim do dia

sábado, 25 de junho de 2016

Labirinto

São meia noite e meia e o relógio avança mais são do que eu acordada vendo palavras ecoando no teto branco e implorando por um descanso que não vem. Dentro do peito pássaros selvagens bicam incansavelmente querendo sair, mas eu não entendo, o buraco já está grande demais e não os sinto indo embora. Quem sabe seja somente um massacre intimo pra me acompanhar na madrugada, no abrir e fechar das pálpebras exaustas em câmera lenta. Vida fodida.
Não há mais nada a dizer ou fazer.

quinta-feira, 14 de abril de 2016

Escombros

O dia acendeu.
Esqueci de amanhecer.
Aqui dentro ainda está tudo escuro.
O céu desabando lá fora
Olhos abrindo e fechando lentos
Interrogações esmagadas
Sopro afastando o sossego.
O amor ousou nos ferir.
Rotina, os dias são disputas.
Não suporto mais essa desordem.
O amor é uma completa desordem.
Eu o culpo
Culpo esse abriga-ninguém dentro do peito
O tempo rígido, o desencontro.
Eu divido esse silêncio dolorido com você.
O dia se escondeu.


"Fala: parece que mente...
Cala: parece esquecer..."
                                                                          Pessoa em Presságio

sábado, 5 de março de 2016

Je ne sais quoi

Obscenidade é achar que se pode tentar viver o amor e sair salva.
Silencioso e gritante, o vazio percorre o quarto miúdo e o peito dolorido não reage. 
Há pedaços de solidão nas paredes úmidas. 
Infiltração de um ser apavorado. 
Algumas vozes lá fora. Gargalhada de criança pequena.  
O entardecer em tom de cinza acusando erros grotescos de um coração medroso. 
Logo o céu também chora. 
Existe uma eternidade inteira em cada uma dessas horas e a vontade de fugir é insustentável. 
Eu só quero dormir macio, mas o desperta dor não adormece. 
Um olhar perdido no engano,  entre perfumes doces e tristeza impregnando as rachaduras do teto mofado, somente.
O amor me atordoou no fim do dia.

terça-feira, 9 de fevereiro de 2016

Sem escapatória

O amor é uma armadilha
Uma língua que dedilha num
corpo querendo engoli-lo
inteiro
Um choro descontrolado no
travesseiro
Surto
Semáforo desvairado
Um campo minado trapaceiro
Susto
Bombas por todo lado
Soco no estômago
Naufrágio
Flores murchando

Um pássaro bicando meu rosto
enquanto canta é como o
amor

Ele é bonito e suave, mas não
para mim.

quarta-feira, 20 de janeiro de 2016

Unidos pelo Cosmos

Anoiteceu.
   O céu agora é um borrado de prata e azul-escuro. A lua fascinante assim, me dá uma tristeza que dilacera. Lembra o teu sorriso, onde moram inquietações que se assemelham aos meus medos da madrugada. Minha alma quer comunhão com a tua, mas o coração é adoecido porque o que é meu está longe. Essa noite te ouvi me chamar na escuridão do quarto pequeno e meus olhos choveram com teus traços e teu cheiro transitando as horas. A raiz do que eu sinto por ti mostra que a vida é torta e descompassada porque não tenho a ponta dos dedos tocando tu, que é um universo inteiro. Tu habita nos meus olhos e respiro com dificuldade a ausência pesada da tua voz. Encaro o desejo de morar contigo na sombra da árvore do quintal de sol morno, morar no pra sempre que pertence a ti e eles me encaram de volta, como uma tortura cotidiana. Teu nome não dorme na minha mente e quero molhar os pés  na praia, ao teu lado, pra entardecer descansando no teu suspiro.