terça-feira, 22 de setembro de 2015

Rasgados

 Ele me tocou. E a estranheza do meu coração é sentir que esse toque arde, queima mesmo com esse frio. Tudo virou desencontro. Eu vomitei a falta dos teus olhos como um vulcão furioso, enquanto aquela música servia de marcha fúnebre pra esse amor distante. Nunca a lua esteve tão bonita e tão triste. Todas as palavras quebradiças na escuridão, viraram silêncio, daqueles que gritam por dentro e me emudece. 
 Como o silêncio dói! Como o silêncio dói, querido!
 Eu vesti seus medos pra te proteger dos meus, mas a fragilidade é tanta em minhas mãos, que foi distração pensar que poderia salvar você ou a mim. Disfarcei mal minha covardia e os dias vão passando, arrastando nós dois. Foi na minha confusão, que meu olhar se perdeu. Nos perdemos.
 Agora, tua ausência é um despertador pontual que me atormenta, atraso nenhum alivia esse vazio repugnante que crava e sai rasgando o peito. É difícil respirar com a garganta apertada com um nó melancólico. 
 Como o fim dói! Como o fim dói, querido!

sábado, 12 de setembro de 2015

Vida incurável

Quando ela dança de rosto colado com a tristeza
e o cansaço a puxa pra cama, 
ela faz amor selvagem com a solidão. 
Molhada, as lágrimas são muitas. 
Exausta, se entrega inteira. 
Arqueia o corpo ao toque da angústia 
e cada respiração é um gemido de desespero. 
À noite, o quarto sempre a engole. 
Soluços altos. 
Ele tira toda máscara e brilhos pálidos. 
O delírio devorando a madrugada,
fazendo sangrar o dia. 
Retalhada é como o sol da manhã encontra sua alma  
mentirosas suas confissões embaixo do lençol. 
Há um abismo em seu peito febril, 
uns desvarios profundos em suas olheiras 
e poucos são os pássaros que a avisam que já não é mais hora de tentar dormir.