domingo, 29 de março de 2015

Você é a saudade de quem?

   Abri uma parte da janela verde pra que o sol entrasse e me abraçasse, alaranjado, que aqui dentro é só mofo e cinza. Talvez em um instante de afago quente eu esqueça da frieza do teu coração que ainda é bonito aos meus olhos iludidos. 
   Os raios entram vacilantes, adivinhando que meu presente é tão encardido quanto o passado que teimo em editar luas sim, luas não... Às vezes teu fantasma me assombra em plena luz do dia e escancaro pro mundo esse receio que tenho de não mais possuir margaridas, que ainda são as minhas preferidas, quando for enterrar esse romance infantil.
   Eu perco minhas horas, exausta, depois do expediente, vagueando perdida em espera. E me encontro nos braços da memória, querendo me escrever na tua pele com requintes de crueldade só pra habitar em algum canto de você.
   A saudade parece não findar.
   Não se mata nunca.
                             

Lamentei ser esquecível.

domingo, 22 de março de 2015

Não quero olhar em teus olhos hoje



Maculei tua imagem tão impecável na minha memória, com um beijo.
Desaprendemos o beijo.
Desaprenderemos o sentimento?

domingo, 15 de março de 2015

Purificação

   O universo me banha de fragilidade. A lua cheia tem me entristecido tanto quanto a falta dos teus olhos, mas ainda assim a amo. Essas semanas são abismos. Eu me perco em meio ao silêncio ansiando ouvir barulhos que quebrem a quietude na qual me afundo. Eu sou um guerrilheiro em campo, esperando uma carta que nunca chega. As estrelas unem minhas tristezas numa constelação carregada de delírios insólitos e o avesso de mim também está machucado.
   Eu  fujo do meu olhar no espelho, que é acusador. Minha esperança tem medo.
  A existência é um desbotado de colorido imenso, parece que os olhos de quem me lê de longe, são acusadores. Tenho observado as nebulosas. Elas me lembram a poeira que ficou sobre meu abajur, depois que o outro lado da cama ficou vazio. E por ter devotado tanto de mim aos teus olhos, os procuro em desconhecidos que viram paixão platônica só por terem traços parecidos com os seus. Eu vou jogar uma garrafa no mar, com recados que deixei pra ti na geladeira, pra que afunde junto com esse sentimento que já passa dos limites. Eu sou estrangeira do meu próprio caminho, e vivo ensaiando como é me libertar de nós. Nosso último olhar quase se materializa junto a mim no escuro da madrugada nesse quarto sem cor. Eu quase posso tocar essa saudade.


Vou fingir que não existo e prestar bastante atenção se você vai desaparecendo também.


sexta-feira, 6 de março de 2015

Ela é meu precipício

Ela é aquela poesia
Que não canso de reler. 
Que na intenção de se 
Libertar, 
Me prende.

Ela é feita de palavras
que me saciam
à primeira lida.
E vive com olhos pálidos
De quem escreve pra respirar.

Ela fala o idioma
Que só meu amor
Compreende.
Mas, eu sou só um personagem. 
Desses que ela desconhece, porque criou vários.


Nós somos ficção demais pro meu eu sentimental.