domingo, 22 de novembro de 2015

Do que se trata a vida?

Eu sou seu cemitério.
Em mim repousam seus ossos cansados
e sua dor versa silenciosa abaixo de sete palmos
de esquecimento e angústia por não sair viva dessa vida sofrida.
Todo dia é uma partida.

Eu sou sua lápide fria.
Eu sou a bomba-relógio que detonou no seu peito.
Agradeça a mim, dormindo tranquilo. Vou vigiar seu sono, de longe.

Eu sou as flores sobre você.
Venta solitário, rolam as lágrimas. Leve meu cheiro. 
O vazio completo vai pisando nas esperanças temerosas, eu sinto.
Quando a chuva cair, entenda que é hora de dizer adeus.

domingo, 1 de novembro de 2015

quarta-feira, 14 de outubro de 2015

Ele é o pássaro dos meus dias.

No sorriso dele moram pássaros que inquietam meus olhos parados. 
Do que chamo de viver, aquele sorriso é o que ilumina meus olhos escuros.


Tag Me Descobri.

 A Carol do blog http://carolinabotelhoemsenhoritaagridoce.blogspot.com.br/ me indicou para responder essa tag .Quem criou a tag foi a Koizume do blog - http://theworldbykoizumi.blogspot.com.br/. 


Regras
Linkar o blog que criou a tag. 

Linkar o blog que te indicou
Colocar o selo da tag
Para cada pergunta uma resposta e uma foto que simboliza a resposta
Indicar a partir de 9 blogs para responder a tag


1- Como se chama? Fale um pouco sobre seu nome... Quem te deu esse nome? Você gosta?
Simone significa “a obediente” ou “a ouvinte”. Minha mãe quem escolheu e eu gosto, acho que combina comigo.

2- Algum desejo?
Tenho. 

3- Qual seu maior medo?
A morte. Não só a minha.

4- Como você se sente quando alguém diz que você não deveria ser assim?
Assim como?

5- Já se perguntou quem é você? Qual o motivo de estar onde está?
Sim, me perguntei muito. Agora, não.

6- Tem algo em você que te incomoda?
Sim.


7- Tem alguém que te inspira?
A mãe e o pai.

8- Qual a sua cor?
Gosto de cores sujas e preto.


9- Algo a dizer sobre as pessoas que venham a te conhecer?
Pareço chata, mas sou legal.
Ou é o contrário...


Não vou indicar nenhum blog, caso alguém queira fazer...

segunda-feira, 5 de outubro de 2015

Je ne sais quoi

   A madrugada não dorme. Me pergunto quem eu seria se minha alma não padecesse tanto, se eu não desaparecesse da vida das pessoas, mas não tenho respostas. Meus bolsos estão pesados de acumular tristezas. Tenho uma fenda incosturável no peito e incontroláveis são minhas mãos na sua ausência. Eu tremo. Um tremor doente e pálido. Um tremor cheirando a vômito e adeus, com gosto de sangue escorrendo do nariz.
   Eu vigio a madrugada. Estou presa dentro dos meus próprios labirintos e meus olhos dançam no escuro procurando saída. Não tem. Essas linhas não têm salvação. Os dias longos maltratam e a noite não descansa. Os olhos piscam lentos e sem norte.
   Eu apanho da madrugada, mas amanheço com hematomas menos doídos que o som abafado da tua voz trêmula. As madrugadas, menos hipnóticas que teus olhos sem expressão, tem os traços precisos da tua caneta desenhando minha fragilidade secreta pro mundo. Quando a lua banhar meu portão, vou rezar pra que ela lave essa dor pros bueiros tão fedidos quanto a covardia que eu visto.
   A madrugada não cansa. Parece semente pronta pra crescer regada por lágrimas frias. É no barulho absurdo do silêncio dessa madrugada, que vou sentindo minha alma longe, longe do meu próprio corpo.

Às vezes algo precisa morrer pra que outro algo possa nascer.

terça-feira, 22 de setembro de 2015

Rasgados

 Ele me tocou. E a estranheza do meu coração é sentir que esse toque arde, queima mesmo com esse frio. Tudo virou desencontro. Eu vomitei a falta dos teus olhos como um vulcão furioso, enquanto aquela música servia de marcha fúnebre pra esse amor distante. Nunca a lua esteve tão bonita e tão triste. Todas as palavras quebradiças na escuridão, viraram silêncio, daqueles que gritam por dentro e me emudece. 
 Como o silêncio dói! Como o silêncio dói, querido!
 Eu vesti seus medos pra te proteger dos meus, mas a fragilidade é tanta em minhas mãos, que foi distração pensar que poderia salvar você ou a mim. Disfarcei mal minha covardia e os dias vão passando, arrastando nós dois. Foi na minha confusão, que meu olhar se perdeu. Nos perdemos.
 Agora, tua ausência é um despertador pontual que me atormenta, atraso nenhum alivia esse vazio repugnante que crava e sai rasgando o peito. É difícil respirar com a garganta apertada com um nó melancólico. 
 Como o fim dói! Como o fim dói, querido!

sábado, 12 de setembro de 2015

Vida incurável

Quando ela dança de rosto colado com a tristeza
e o cansaço a puxa pra cama, 
ela faz amor selvagem com a solidão. 
Molhada, as lágrimas são muitas. 
Exausta, se entrega inteira. 
Arqueia o corpo ao toque da angústia 
e cada respiração é um gemido de desespero. 
À noite, o quarto sempre a engole. 
Soluços altos. 
Ele tira toda máscara e brilhos pálidos. 
O delírio devorando a madrugada,
fazendo sangrar o dia. 
Retalhada é como o sol da manhã encontra sua alma  
mentirosas suas confissões embaixo do lençol. 
Há um abismo em seu peito febril, 
uns desvarios profundos em suas olheiras 
e poucos são os pássaros que a avisam que já não é mais hora de tentar dormir.

terça-feira, 25 de agosto de 2015

Inexistência

Ele morreu
Nas minhas linhas
[de expressão]
e tristeza 
Ele não respira mais

Ele se afogou na profundidade
Desses olhos exaustos
E prolixos
E não vive mais
Ele morreu

E eu, que nunca fui inteira
Me despedacei mais
E me varri pra debaixo
do tapete
Te amar foi uma devoção cruel

Dois cacos de corpos vazios
Três noites sem dormir
minto, são duas
E uma lua abraçando
ninguém


quinta-feira, 13 de agosto de 2015

Túmulo e flores

    A cor da lua ainda é a mesma de quando você me deixou. Não havia sinal de que choveria, mas meu coração desaguou nessa madrugada de quinta muito mais do que um inverno inteiro.
    O batom vermelho na boca de uma moça triste.
    Os olhos molhados e incrédulos fitando o escuro do quarto abafado por gemidos ofegantes demais.
    A alma aflita no corpo anestesiado, tem gosto de massacre.
   Eu vou desaparecer miseravelmente na lembrança dos teus lábios ingênuos e ferir minha esperança vestida de abandono e despida de paz por pura tentativa de sobrevivência.
   O silêncio dessa casa chega a arder e essa fragilidade pálida ficará na cama até que eu volte de mais um dia tempestuoso e confuso e à noite, morra novamente. É duro manter as aparências.
   Você me deixou com café e papéis junto das palavras que tremeram com o barulho da porta fechando e minha própria voz era um conta-gotas lentíssimo e irritante balbuciando interrogações desbotadas.
   É perturbador o som do adeus e sinto que os espinhos crescem a cada minuto nesse coração tão pesado e ordinário como um pêndulo sem ritmo. Minhas orações não atenuam a tristeza dessas horas incompletas, anseio desabotoar a alma, só pra ter a sensação de que o vento vai escrever onde eu posso pisar firme, mesmo com a cegueira que ficou abraçada às lágrimas.
    O derradeiro olhar no espelho, não disfarça o que as pessoas não conseguem enxergar aqui, nem diminui o peso do medo dessa vida efêmera, enferma e fadada a me despedir.
 Sou um espelho quebrado. Um túmulo não visitado. Sem flores.

sexta-feira, 10 de julho de 2015

Ele é o pássaro dos meus dias

Deixo vivê-lo em mim como a árvore que abriga o ninho do pássaro que ama, mesmo temendo que, por amor ao azul-fascinante, ele bata as asas e se vá.
Amar é arriscar deixar tocar o galho.


segunda-feira, 22 de junho de 2015

Ela vai embora

   Ela sentia o calor do fogo ardendo em seu rosto, mas não conseguia mover-se. Quem sabe sairia purificada e sem o peso dessa vida inteira em 24 atos banais. Agora, as promessas de criança pareciam tão enterradas quanto seus pés omissos e sem vaidades na areia fria e branca do quintal e já não acreditava na possibilidade de salvação para os dias pesados demais para as suas costas covardes. Sua coleção de mentiras crescia a cada tudo bem proferido, mas os olhos pálidos denunciavam que sofria por não saber fingir.
   Era o caminho errado das pessoas.
 Naquela noite, as estrelas conseguiram uma porção de lágrimas coloridas com sentimentos abruptos e tanta gente ao redor não significava companhia. Quis se aconchegar ao céu, como se fosse um grande cobertor, na tentativa de aquecer sua alma antiga e cheia de rugas doloridas, mas quando a boa e velha tristeza a olhou compadecida, ela estremeceu o corpo inteiro, sentindo-se desapaixonada ultimamente, pois seus suspiros eram pura resignação.
   A vida seguia acumuladora de sombras passageiras e não é de hoje que o escuro blinda a luz que quer despontar, o desapontamento é maior ao fim do dia, a noite aponta seus desejos vãos e seu som silencioso não a acalma.


Seus olhos exaustos não mentem.

segunda-feira, 8 de junho de 2015

Tragam flores

O dia amanheceu incerto
Entardeci num céu lilás
Imaginando a humanidade
cinza 
E a cor dos teus olhos 
Carregados de adeus.

A voz muda que corta
A madrugada 
Me olha 
torto
Entre um desejo e outro
Foi a vida que nasceu incerta

A despedida como uma
flor carnívora
me mastiga devagar

Colhe essa flor da minha pele
que está banhada de suor
Leva as gaiolas vazias
porque os pássaros
já foram embora.



domingo, 24 de maio de 2015

Ele despetala as minhas flores

    Em meio a tantas luzes e fumaça, eu o via dançar.
   Se não o conhecesse bem, diria que era a dança da tristeza e ele queria morrer tanto quanto eu.
   Minha confusão quer beijar seus movimentos e pedir que o tempo crave sua paixão naquela cena.
   O olhar dele guarda constelações e anseio provar com a ponta da língua esse céu que não é capaz de me salvar. Eu me rendo e quero misturar essas lágrimas vencidas ao salgado da sua pele, porque não aprendi fingir, porque a mudez gritante da minha alma vendida a preço nenhum esbarra nessas pessoas todas e agora dá as mãos à tristeza de Van Gogh.
   Ele aperta o nó da minha garganta, sem imaginar que ainda rabisco os calendários, que abraço o seu perfume pelas ruas, que ando na chuva lembrando que as promessas murcharam junto com as flores do vaso sobre o criado-mudo. Em meio às luzes e fumaça eu bebi devagar e balbuciei seu nome baixo sem me acostumar com a distância entre seus olhos e os meus, ou compreender que vê-los me fere ainda mais.
   Não esperei que o relógio me avisasse a hora de dizer adeus de novo, admito mais um fracasso da vida dura desse coração cansado e vou embora, imaginando que esse mofo nada mais é que a saudade tomando espaço, zombando baixinho, rasgando a carne da alma. Temo que a lua prateada não mais banhe de luz meu portão e minha pequenez que é enorme.

A saudade me lembra que o tremor que sinto é vestígio de despedida, de fuga. 

domingo, 19 de abril de 2015

Nosso olhar já morou um no outro

Quis rezar pedindo um pouco de serenidade pra minha alma, que é cheia de desassossegos e berra vagando rancorosa pelo mundo um grito silencioso, mas, de joelhos eu chupei a saudade de ti, saboreando devagar o que é ter tuas pernas em minhas mãos e colecionar fracassos.
 Isso aqui é um romance-fraude, mas eu ainda quero o poder-temor que encontro nos teus olhos.
Eu traio o meu íntimo a todo instante, negando cortar esse cordão umbilical que não me alimenta, carregando essa âncora dentro do peito, profanando meu corpo com tuas mãos bonitas, desejando que a chuva carregue embora esse amor sujo junto com a lama da cidade.
A dor sorri impassível enquanto se instala em mim e acho estranho querer te aprisionar à todo custo, porque você já é quase  desconhecida novamente. 
Nas palavras, a tristeza parece ser pequena, mas pulsa corroendo. Tem uma imensidão em mim e eu te perco.


O limbo dos meus dias é essa falta desmedida de ti, que me encara quando a noite se aproxima. 

sábado, 18 de abril de 2015

Tag Liebster Award

Fui indicada pela Ana Beatriz Ferreira do blog 

Regras!
• Escrever 11 fatos sobre você;
• Responder as perguntas de quem te indicou;
• Indicar 11 blogs com menos de 200 seguidores;
• Fazer 11 perguntas para quem você quer indicar;
• Colocar a imagem que mostre o selo da Tag.



>11 fatos sobre mim:
• Sou pisciana
• Amo por do sol
• Quero ser mãe
• Rabisco a agenda todos os dias
• Sou nostálgica
• Ouço uma música inúmeras vezes
• Amante do frio
• Boa de garfo
• Meu apelido de escola/ facul era 'estranha'
• Não largo o celular
• Gostos peculiares

> Respondendo as perguntas:
• Qual seu número predileto: 6
• Se pudesse voltar no tempo e pudesse assistir uma peça, um filme ou um show, qual seria e por quê: Show do Oasis.
• Quer aprender falar outro idioma? Qual? Francês.
• Qual seu escritor predileto: Buk.
• Sua cor favorita: Preto.
• Já teve um sonho muito estranho que virou texto? Está disponível na internet? Não.
• Já leu um livro e gostou tanto que teve de parar de ler porque não queria se despedir da história? Não. Quando gosto, releio.
• Sobre o que gosta de ler em blogs e sites? Gosto de muita coisa.
• Qual a última música que colocou para escutar? Stop Crying Your Heart Out
• Qual o último filme que assistiu? Vi de novo Closer -

Obs: Como já havia respondido esta Tag antes, quem quiser responder, fica à vontade para usar as mesmas perguntas da Ana!
;)

sábado, 4 de abril de 2015

Ela é o pássaro dos meus dias

Guardo,
cautelosamente, 
retalhos de 
lembranças 
de um pássaro
pintando o céu
num verão ardente,
que voou para longe
para pousar numa árvore mais mansa.
Ele não voltará. Nunca saberá que firmei raízes para abrigá-lo...

domingo, 29 de março de 2015

Você é a saudade de quem?

   Abri uma parte da janela verde pra que o sol entrasse e me abraçasse, alaranjado, que aqui dentro é só mofo e cinza. Talvez em um instante de afago quente eu esqueça da frieza do teu coração que ainda é bonito aos meus olhos iludidos. 
   Os raios entram vacilantes, adivinhando que meu presente é tão encardido quanto o passado que teimo em editar luas sim, luas não... Às vezes teu fantasma me assombra em plena luz do dia e escancaro pro mundo esse receio que tenho de não mais possuir margaridas, que ainda são as minhas preferidas, quando for enterrar esse romance infantil.
   Eu perco minhas horas, exausta, depois do expediente, vagueando perdida em espera. E me encontro nos braços da memória, querendo me escrever na tua pele com requintes de crueldade só pra habitar em algum canto de você.
   A saudade parece não findar.
   Não se mata nunca.
                             

Lamentei ser esquecível.

domingo, 22 de março de 2015

Não quero olhar em teus olhos hoje



Maculei tua imagem tão impecável na minha memória, com um beijo.
Desaprendemos o beijo.
Desaprenderemos o sentimento?

domingo, 15 de março de 2015

Purificação

   O universo me banha de fragilidade. A lua cheia tem me entristecido tanto quanto a falta dos teus olhos, mas ainda assim a amo. Essas semanas são abismos. Eu me perco em meio ao silêncio ansiando ouvir barulhos que quebrem a quietude na qual me afundo. Eu sou um guerrilheiro em campo, esperando uma carta que nunca chega. As estrelas unem minhas tristezas numa constelação carregada de delírios insólitos e o avesso de mim também está machucado.
   Eu  fujo do meu olhar no espelho, que é acusador. Minha esperança tem medo.
  A existência é um desbotado de colorido imenso, parece que os olhos de quem me lê de longe, são acusadores. Tenho observado as nebulosas. Elas me lembram a poeira que ficou sobre meu abajur, depois que o outro lado da cama ficou vazio. E por ter devotado tanto de mim aos teus olhos, os procuro em desconhecidos que viram paixão platônica só por terem traços parecidos com os seus. Eu vou jogar uma garrafa no mar, com recados que deixei pra ti na geladeira, pra que afunde junto com esse sentimento que já passa dos limites. Eu sou estrangeira do meu próprio caminho, e vivo ensaiando como é me libertar de nós. Nosso último olhar quase se materializa junto a mim no escuro da madrugada nesse quarto sem cor. Eu quase posso tocar essa saudade.


Vou fingir que não existo e prestar bastante atenção se você vai desaparecendo também.


sexta-feira, 6 de março de 2015

Ela é meu precipício

Ela é aquela poesia
Que não canso de reler. 
Que na intenção de se 
Libertar, 
Me prende.

Ela é feita de palavras
que me saciam
à primeira lida.
E vive com olhos pálidos
De quem escreve pra respirar.

Ela fala o idioma
Que só meu amor
Compreende.
Mas, eu sou só um personagem. 
Desses que ela desconhece, porque criou vários.


Nós somos ficção demais pro meu eu sentimental.




sábado, 28 de fevereiro de 2015

sábado, 21 de fevereiro de 2015

Je ne sais quoi

O tempo passou muito rápido pra fugacidade dos meus desejos temperamentais. Eu desaprendi viver. Procrastinei me aceitar sozinha, porque minha alma quer comunhão com a tua. Uma entrega perfeita. Uma satisfação pra estranheza desse corpo descartável. Mas fecho a porta pra você e te impeço de provar da minha vida amarga, só pra que você não perca sua doçura.
Eu mascarei o sentimento enquanto a serpentina caía. Percebi que minha fantasia era pesada demais. Suja. Surrada. Eu te estragaria.
Adeus.

O sol baixou seu peso alaranjado sobre meu quintal. Sempre que ele me diz adeus, pronuncio teu nome bonito só para incomodar o silêncio frágil da cozinha, que é muito grande diante da minha alma muda em meio a esse mundo de vozes. Odeio beber café sozinha. Sinto náuseas. Aqui o peso dessa solidão é maior do que o de oito sóis e sua face é gelada.  
Eu me alimento de paixões rápido demais, e antes que você dissesse que sou sua primeira transa, já estaríamos entre suor e arrepios. Não se doa por pouco. Devo me afastar de ti.
Adeus.

As cores lá fora estão intimamente silenciosas. Me lembram você e sinto um desejo enorme de eternizar suas formas porque a beleza que enxergo em ti, distrai meu cansaço existencial. Me assombra a sombra desses dias no meu coração. Quero recitar pra ti uns versos enfermos que rabisquei no meio da noite pensando em outro. Peço que o céu sele sua respiração e rezo para que, longe de mim - porque é mais seguro -  estejamos juntos até depois do fim.


 Imagino que aquela música do Snow Patrol combina com minhas unhas nas tuas costas.



sábado, 14 de fevereiro de 2015

Me (pro)cura



Foi numa dessas tardes 
geladas, 
que a 
saudade, 
feito pássaro 
selvagem, 
inquietou-se 
nessa gaiola 
empoeirada e frágil, 
que é meu peito.


sábado, 7 de fevereiro de 2015

Eu, pássaro nunca-cativo. Ele, árvore-prisão

Meu ninho é ele.
Eu voo nas asas, nos braços dele.
E sempre volto, porque o mundo lá fora é pequeno demais.
Meu mundo só é grande ao lado dele.

Tag- Meu blog e eu

Fui indicada pela  Katy Lima do  blog Fala Garota! para responder essa tag! 

Regras:
1. Responder as 8 perguntas da tag;
2. Indicar 8 blogs para responder a tag;
3. Linkar de volta quem te indicou.


Perguntas:
1- Por que você criou o blog?
Queria que uma pessoa importante que morava longe, na época, lesse. 

2- Como você escolheu o nome do blog?
Ouvia muito Nenhum de Nós, mais precisamente essa música:
https://www.youtube.com/watch?v=u4uqONUqevc
daí o nome 'flores-na-cabeça'.
Pela indecisão constante na vida, daí o 'bem-me-quer-mal-me-quer'.
E por gostar muito de margaridas e rosas brancas.

3- Quando seu blog foi criado?
Novembro de 2010. 

4- Qual o assunto principal que o seu blog aborda?
As outras de mim e eu mesma e tudo que nós sentimos.

5- Quem fez o layout?
Eu.

6- Fale um pouco do layout, o que ele representa?
É simples, tem o essencial.

7- Pensa em fazer do blog um trabalho?
Não.

8- O que você diria para as blogueiras que começaram agora?
Depende do objetivo da pessoa ao criar um blog. 

Blogs indicados para responder a tag:

sábado, 31 de janeiro de 2015

Rasgados

   Teu corpo é ilícito. É revestido de perigos. Sinalizado com atenção para que eu não me perca, mas é bobagem. Eu derrapei, caí, bati de frente. Me quebrei inteira. Eu morri algumas vezes enquanto pensava no que fomos, no que seríamos. Extraí do meu peito metade da dor, depois da exaustão de ser refém da falta dos teus olhos me queimando a pele feito brasa. Por tempos que não sei contar, fiquei cativa da tua sombra, teimando em me alimentar com mediocridade.
   O sangue que eu derramei por nós, agora é pintura nas paredes tristes dessa selva de pedra. Quero uma transfusão de você. Te quero correndo em mim, até que eu esteja saciada de novo. Da minha janela, perco a conta dos carros que passam e finjo não me abalar em ver a solidão das pessoas se encontrarem e serem ignoradas umas pelas outras. Minha confusão se mistura à da cidade e busco fazer as pazes com o sofrimento, para não te perder de vista. Te recrio nas minhas linhas e incontáveis são as noites em que deito e rolo sozinha, te revivendo em memórias e toques estratégicos.
   O céu está num cinzento que me lembra teus olhos frios de agora e tua voz enluarada. Arrepios percorrem meus traços, mas não quero me aquecer. Minha única vontade é que você tire minhas meias pretas que são mais finas que minha pele branca e não desiluda esse fevereiro que tende a ser melhor por ter dois dias a menos. Nesse entardecer, não me permito o esquecimento. Eu te vivo, mesmo depois de declarar falência do órgão que você não sossegou enquanto não destruiu. Não faz sentido algum, mas às vezes, eu reviro as fotos só pra me magoar. [...] Eu sei, essa minha insistência é obsessiva  e eu decididamente, pago caro. À prestações. Dói devagarzinho em longas parcelas.

O cheiro dele me castiga a memória.
Sinto falta de separar as correspondências no final do dia.

domingo, 25 de janeiro de 2015

Estranhos íntimos

Vem, meu bem, brincar de amor
Se não sabe, te ensino além!
Coração entediado
transtornado
falido
Já conheceu a folia também.

Brinca, meu bem, 
Com o vazio que restou.
Toma as rédeas
Banha a minha pele
Com tua cor
Amores vem
Amores vão(s)
Viram estranhos
Melancolia 
Ou dor.

Não venha brincar de amor
Meu bem
Que eu não sei
Que eu me apaixono
Com um único beijo
Se me descuido
Em ti me abandono
Já pinto flores
Em tudo que vejo.




sábado, 17 de janeiro de 2015

E você, já esqueceu alguém hoje?

A saudade 
é tão sacana,
que, por vezes,
concordamos 
em ser 
testemunhas 
silenciosas 
distantes 
do riso 
suspenso 
no canto 
dos lábios 
da pessoa 
amada.