sábado, 27 de dezembro de 2014

Antes. Agora. Depois.


Estranho é sentir o coração não sentir mais nada por alguém com quem o sentimento era maior do que tudo.

domingo, 21 de dezembro de 2014

Por ser intangível III

   Eu quis partir pra voltar a ser inteira, porque teu cheiro ainda me fere e teu ar ainda me sufoca. 
   Eu me apaixonei pela cicatriz que você tem no peito esquerdo. Problemas no coração. Uma marca bonita de quem sofreu. Mas, você continua sendo você sem mim. E de uma maneira assombrosa, isso me atinge, porque sentir teu sabor ainda é meu maior vício e ainda quero os teus desejos junto aos meus. Em que curva sinuosa perdemos a direção?
   Eu te abracei sem saber que era uma despedida. E o que mais doeu na hora do jantar, foi chamar por ti e o silêncio de uma casa vazia ser sua resposta. Eu te bebi, e teu gosto forte me embriagou e me iludiu. Até hoje, a ressaca da tua ausência enjoa meus dias. Perdoe-me por abusar da sua presença na minha mente cansada, é que a fantasia sempre andou abraçada com a minha insônia.
  Eu pedi sigilo completo à saudade que, todas as noites, quando a vida estava silenciosa, sussurrava coisas sobre você. E foi acordadíssima, olhos fixos na escuridão e sentindo a realidade pulsando nas quatro paredes solitárias do meu quarto, que descobri que as memórias não somem tão fácil assim.


[Parece que meu eu-lírico desabafa as dores que eu queria enterrar, mas a verdade é que eu forjei esse amor pra disfarçar a incompletude da minha vida]

quinta-feira, 18 de dezembro de 2014

Das excitações sentimentais

A hora que quiseres
É quando podes ter a mim
Me olha, me despe,
Me beija, me aperta
Sussurra pra mim o teu sim!
Me abraça, se entrega, 
Espera!
Que eu danço pra ti.
Da minha pele, sente o aroma
Perfume inato
De despudor e jasmim.
Me rasga inteira,
Me come, me cheira,
Minha fome, sacias,
Que a tua, eu mato.
Me deixa molhada, trêmula,
No chão.
Que eu uso, sim,
Paladar e tato,
Te deixando exausto
E na mesma situação.

sábado, 13 de dezembro de 2014

Desde quando ele se foi

Sentia o salgado dos olhos escorrendo pelo rosto, feito chuva na janela. 
E indagava a si mesma, se o que chamavam de amor também era conhecido como sofrer.


domingo, 7 de dezembro de 2014

Outra estação

   Ela é dona de olhos cheios de  fascínio lascivo, daqueles em que eu queria mergulhar de manhã cedo e nos fins de tarde, noite adentro. Daqueles que, disfarçadamente, pedem proteção. Daqueles que pedem que a deixe em paz, escancaradamente. 
   É tão menina ainda. É mulher, já... 
   Ela nem imagina que seu mau-humor pungente me prendeu a atenção e quando se aproxima, me causa tremor. Nas duas nuvens azuis que ela carrega tatuadas em cima do peito é onde eu queria estar. Mas é segredo!
   Mal sabe ela que perdi a noção do tempo, ali, com seu retrato nas mãos, fantasiando nosso primeiro encontro na cafeteria da fachada marrom. Eu acho que minhas crises existenciais se parecem um pouco com as dela. Talvez eu diga a ela um dia, quando minha valentia não falhar.
    Vou mentir. Dizer que não quero contornar com as pontas dos dedos, os traços marcantes do rosto de pele aveludada que ela tem. Mas, eu quero!
   Vou fingir que não ouvi a mesma música a noite inteira, pensando nela. Mas, eu ouvi!
  Inventei motivos para ouvi-la tocar gaita nos sábados, na feira de artesanato. Mas, acho que paixão não se esconde por muito tempo.
  Quem sabe, logo, logo, quando a minha valentia não falhar, eu não mais negue, nem finja. 

quarta-feira, 3 de dezembro de 2014

Das excitações sentimentais

Ela se perfuma inteira,
É só a noite surgir.
As meias, veste.
O espartilho aperta.
À espera, fica
De ele, incansavelmente a despir.

Ele se arruma inteiro,
É só a noite chegar.
Pensa nas noites ao lado dela
Vinhos tomados,
Roupas no chão,
Duchas, cigarros,
Espelho embaçado,
Peitos suados,
Excitação!!

E os dois se perdem, aos beijos,
Em abraços, encontram-se.
Os dois gozam. É casual.
Não é amor.
Não tem juras,
Nem cobrança.
Somente os corpos em dança,
Numa entrega carnal.

Até que a madrugada finda,
E o sol começa a raiar.
Preguiçosamente, a despedida,
Acompanhada de um desejo
Que, mais uma vez, ameaça voltar.