sábado, 26 de novembro de 2011

Um ainda-amor

   O telefone tocou. Ela, afundada na poltrona que economizara tanto pra comprar, não se mexeu. Olhava pro nada. O volume do celular foi aumentando e a despertou de seus vagos pensamentos. Viu, com uma expressão esquisita, a foto dele na tela, imaginando que a ligação já estava perto de ir pra caixa de mensagens. Não atendeu. A música parou. 
   'Covarde', pensou. 'Tudo bem, talvez ele ligue de novo'. 
   As horas foram passando e o domingo, indo embora. Inclinou a poltrona um pouco para trás e fechou os olhos. Queria pintar a casa, mudar os móveis de lugar, comprar mais um ou dois livros. Sentiu uma espécie de vazio e riu alto. Um riso irônico, meio triste, meio 'e daí, essa é  a minha vida!' Foi até a geladeira, abriu uma garrafinha e encostou-se no balcão da cozinha, olhando o celular lá na sala. 
   Bebeu tudo. 
   Com passos lentíssimos, caminhou e discou o número que ainda sabia de cor. Uma chamada. E não fazia ideia do que diria. Duas chamadas. Três. "O que estava fazendo?' E se apressou em desligar.

   -Alô?
   - Oi. Desculpa não ter te atendido. Eu estava ocupada. 
[silêncio] 
   A vida anda tão agitada, você sabe, não? Quase não tenho tido tempo pra nada... 
[silêncio] 
   As papoulas que plantamos estão lindas... estão mesmo... 
[silêncio]
  Sabe, tenho sentido falta de você. Sempre. Não é às vezes, ou quase sempre. É mesmo todo o tempo. Aliás, sinto saudade de tudo, quando tudo ainda era nós. Parece que apesar do que ficou pelo caminho, o que ficou dentro de mim ainda continua vivo, como se ao invés de acabar, diminuir, sei lá, fosse se alimentando do que a gente viveu e só crescesse mais. 
[silêncio] 
   Eu sei, é a primeira vez que a gente se fala depois de tudo e eu já vou falando do que já passou, não é? Desculpa, é que por tanto tempo eu tenho guardado esse ainda-amor aqui dentro, que acaba transbordando de vez em quando. 
   Teamo. 
   Amo sim. E amo tanto...
[silêncio] 
   Fala alguma coisa. 
[silêncio]
   Você tá aí? 
[silêncio] 
   Alô?

Ela olhou o celular e viu, com uma surpresa absurda, que estava falando sozinha. Mexeu no histórico de chamadas e viu que a ligação havia durado 5 seguundos. 
'Pode ser que ele só queria ouvir minha voz', pensou. 
Largou o telefone em cima da mesinha de centro e foi fazer um sanduíche. Comer lhe acalmava. 
'Às vezes, falta coragem... existe amor... mas falta coragem'...

 


domingo, 20 de novembro de 2011

Viu como o céu não está mais cinza?

   Ei gata, o quanto você foi feliz hoje? O quanto fez feliz quem estava ao teu lado? É o que me pergunto todos os dias frente ao livro do Caio Fernando que ganhei de presente nesse mês. E às vezes me frustro com a resposta ecoando no pensamento, porque sinto que tenho sido má nos ultimos dias meses anos. E não tenho me arrependido ou me envergonhado disso, o que é bastante estranho, porque eu não tinha esse coração frio. E as rugas por chorar até ficar exausta quando ficava triste por sua causa se foram, porque minhas lágrimas secaram por dentro e você não vai mais me ver chorar. 
   Sabe, descobri que o amor-próprio é o amor mais bonito que existe, meu bem. Estou experimentando a parte mais concentrada dele. Acho que você devia fazer isso também, viu? Tenho a impressão de que não vou esperar você crescer. Eu sou muita areia pro seu caminhãozinho, mas não se culpe, ninguém até hoje segurou o tranco de gostar de mim até o fim, com toda a minha loucura, minha bipolaridade, confusão nos pensamentos, hipo/hiperatividade, etc, etc., etc. Pra falar a verdade, você está certo, acho que nem eu mesma arriscaria entrar numa cilada dessas. 
   Mas, agora, querido, eu não me importo se você, o João, o Ismael ou quem quer que seja, queira me assumir. Eu não tô a fim. Quero mais é sossego, me cuidar. Não quero fazer coisinhas que namorados fazem, e esperar que você enjoe de mim. Ou eu enjoe de você. E isso vai acontecer. Então, te cuida, sem me procurar, sem me querer, sem voltar atrás, tá bem? Obrigada. Beijos.


quinta-feira, 17 de novembro de 2011

Uma terceira pessoa

...
 Mas, sinceramente, achei que o tempo pararia pra nós..
Que não haveria mais ninguém, além de nós dois.
E que seria mesmo pra sempre.

Tola#.

sexta-feira, 11 de novembro de 2011

Uns dias, sim.

Nem chegou a noite ainda e já me repreendi mil e duas vezes, tentando afugentar você dos meus pensamentos. Hoje senti trinta pontas de arrependimento. De ter soltado tua mão, me desviado do nosso caminho e te deixado seguir sozinho. Tua falta me dói. Idiotice minha dizer que não. Idiotice também ainda falar de nós. de ti. de mim., eu tento, me faço de forte tão bem, mas tão bem, mas é que tem dias, querido, que é difícil manter o controle, o 'não me importo mais', o 'já acabou, não quero saber'. Às vezes, é muito difícil não apertar a tecla 'momentos bons', 'olhos lindos' ou o áudio 'sorriso gostoso'. Agora, insconscientemente isso acontece. Sempre, na verdade. Tenho usado bastante tua imagem. Pra me acalmar nos momentos mais duros, pra me fazer rir quando me bate aquela tristeza, e ironicamente, pra continuar a viver. Sim, você me faz querer viver. Muito. Acho que é aquela esperança de te encontrar no meio daquele caminho e algo acontecer. Tua falta me dói. Já te disse isso?  Já te falei o quando é ruim aqui sem ti? O quarto sempre arrumado esperando nossas bagunças e o lado direito da cama mais alto, porque não ousei ocupar seu lugar. Nem ninguém. Nem no meu coração. Isso não te importa nem um pouco, não é? Porra... Eu sei. Aliás, tudo bem. Isso aqui não é pra te implorar, não é pra te fazer voltar. É só pra... pra... pra... tem dias, sabe, que tua mão deveria estar junto da minha. Meu corpo, junto do teu. Teus olhos sobre/sob os meus, meu riso acontecer na mesma hora que o teu. Tem dias que eu preciso tanto de você. Tem dias que eu te quero perto com uma urgência do caralho. E se eu ainda te amo? Uns dias sim. E outros, mais ainda.

sábado, 5 de novembro de 2011

Rasgados

Quando tudo começou
Eram mais que completos
O tempo foi fragmentando seus corpos
E a distancia, suas almas
[...]

Selinho

 Este aqui veio das gatíissimas do blog O amor há de vencer. . Camila e Amanda, brigada pelo carinho!!


Regras:
1º Colocar o link de quem te indicou:
http://oamorhadevencer.blogspot.com/

2º Qual o seu maior sonho ?Casar, ter filhos lindos, me formar, sucesso no trabalho... essas coisas..3º O que te faz sorrir ?
Familia, por do sol, céu bonito, amigas, amigos...


4º Conhece o blog O amor há de vencer.?
Sim, sim^^

5º Diga algo sobre o que acha do blog que te enviou!

O O amor há de vencer é um blog super fofo, com post lindos!!

6º Indique aos blogs que fazem um sorriso nascer em seu rosto, toda vez que você olha!
Som dos passos E eu, Borboleta...
Palavras...apena... momentos
Exceção à regra
Eu sou meiga porra !
"Um suspiro em cada palavra"</center...
SENSIBILIDADES.....
Dentro Dela...

quarta-feira, 2 de novembro de 2011

Sobre mãos e corações

Oi Laura,

   Essa é a primeira vez que você me lê depois que a gente tomou rumos diferentes. Pra ser sincero, tenho várias folhas escritas aqui, prontas pra te mandar, mas sempre falta coragem. Ou foi a lembrança do que passou que me impediu? O incerto é que eu não sei com que sentimentos seus olhos passeiam por essas linhas... Seria, quem sabe, esperar demais, que seu coração batesse mais forte, ou que você se sentisse um tanto confusa e relembrasse nossos momentos mais felizes com uma grande saudade? Me diga, seria esperar demais? É como eu me sinto quando escrevo pra ti, quando penso em você antes de dormir, principalmente, ou quando vejo o por do sol. Tenho saudade de te ver saindo do banho de toalha, do seu sorriso gostoso e da maneira como seus olhos mergulhavam nos meus e ficavam. Ai que saudade desses teus olhos, Laura!
   Sabe o que me fez escrever e te mandar mesmo, dessa vez? Vi você no sábado, no Café, aquele em que íamos juntos, sentada na nossa mesa, no canto. E tive esperanças de te ter de novo. De que você me quisesse ter de novo também. Por que então, na nossa mesa? Fiquei bobo, te olhando da rua, quase entrando pra falar com você... Mas, não. De novo, deixei o tempo passar e você ir embora. O vento batendo no seu cabelo, fez meu estômago doer... Lembro dos meus dedos perdidos nos teus cabelos, sumindo devagar entre eles, e te fazendo fechar os olhos e sorrir com cara de preguiça.
   Você é linda, Laura! Por dentro e por fora!.
   Eu não sei o que você está pensando disso tudo... e estou vulnerável...
   Eu amo você, Laura. Amo muito. Você é minha vida. Eu continua sendo nós. Eu errei com você. Te perdi. E me sinto perdido também. Mas, sinto que você ainda me ama, ama? e que seu coração ainda bate no mesmo ritmo do meu. Eu quero ser melhor pra você, se você deixar. Quero te fazer feliz. Muito.
   Eu vou te esperar no Café, e se você não aparecer hoje, vou estar te esperando amanhã, e depois, e depois, até você decidir. E eu espero, sim, porque você vale toda a espera que houver.

Sempre e Pra Sempre. 

Tom.



*Tom esperou três dias. No sábado, a porta do Café se abriu e Laura entrou.