quinta-feira, 27 de outubro de 2011

Tudo porque faltava algo

   Ela acordou, sem nenhuma vontade de levantar e recordou a noite anterior. Apertou o travesseiro contra o  rosto e pensou em repetir as palavras de Caio Fernando que sempre dizia pela manhã: 'Então que seja doce... Repito sete vezes para dar sorte: que seja doce que seja doce que seja doce e assim por diante.'. , mas não teve coragem. Sentia que deveria experimentar mesmo o amargo,  o azedo,  para ver se aprendia e dava valor quando tivesse o doce em sua língua. Ela, por alguma razão esquisita precisava passar por certas coisas, aprender aos trancos e barrancos, quebrar a cara, quebrar o coração, doer... E ela passava. Estava passando.
   Ela tinha um coração bom. Queria mostrar. Tentava. Parecia meio Alice no País das Maravilhas, um tanto confusa e falando consigo mesma, mas ela tinha um coração bom. Só não sabia como se expressar direito. O que acontecia com todo o mundo que não a deixava em paz?  Exigindo demais dela, escolhas, atitudes, palavras, mudanças...
   (?)
   Rolou pela cama, querendo dormir mais. Sentia medo. De expulsar de sua vida as pessoas certas e acolher as erradas. De fugir demais de si mesma e depois não conseguir mais voltar. De jogar e perder. Sentia-se tola. Andando em círculos e apertando os nós que deveria desatar. Ela só queria recuperar a sua parte bonita que havia ido embora há algum tempo. Queria seu respirar leve de volta. E por mais que dissesse 'Caramba, mulher, tu é forte', não conseguia fazer a dor parar... e nem a dor de ter causado dor...
   O que ela deve fazer? Ela não sabe... E vai tentando saber, tentando passar por tudo sem maiores estragos, pois sim, ela era uma desajeitada...
   Ela tentava. Tentava mesmo. Ser feliz.
   Mas ela sabia que de tudo que ela tinha, de tudo que viria a ter, das pessoas que encontraria, do que fizesse, do que fosse, algo faltaria. Aquela parte bonita que havia ido embora há algum tempo.


sexta-feira, 21 de outubro de 2011

Certos demais um pro outro

   O que você está fazendo que não atende as minhas ligações? Ou será que não liguei...   (?)
  Me diz, você esteve saindo com alguém? Uma ruiva, alguém mais magra e nada complicadinha? Alguém que torce pro mesmo time que você? Mais bem-humorada e menos estranha que eu? A ama? Estão dormindo juntos? [...] Não, não me fala. Eu temo as respostas. Sei que vou chorar mais  se tiver certeza, ou talvez um instinto suicida fale algo ao pé do meu ouvido. É isso, não preciso saber. Não liga pra isso, não, é só meu coração tonto querendo saber da sua vida. Mas, não liga. Nem atende minhas ligações também, tá?
   Eu quero tanto que você seja feliz!! Tanto!! Mas, putaquepariu, por que não comigo?
   Eu sei que você não vai encontrar ruiva ou quem quer que seja mais bem-humorada do que eu, que te ame mais, que te queira inteiro, com tuas qualidades lindas e teus defeitos mais podres, que adore mais a tua orelha perfeita e que te veja por dentro e por fora, como eu te vejo.
   Sabe, acho que você é um idiota, que nem eu.


segunda-feira, 17 de outubro de 2011

Desbotado de colorido

   Eu sei, meu bem, o que você pensa quando me vê distribuindo sorrisos por aí, distraída, com cara de mais feliz do que nunca. Você acha que eu sou superficial e que não lembro de ti, que eu nunca te mereci e que já estou dando pra outro. Você acha que eu ja te esqueci. Vou te perdoar por isso, porque você é bobo e não entende o amor.
   Deixa eu te dizer, às vezes quem ama e ama de verdade mesmo, precisa renunciar, precisa trancar, por pouco tempo ou mesmo pra sempre. Precisa deixar ir. Foi o que fiz. Porque sinto um amor louco por ti, meio desesperado, até. Porque eu aguento a minha dor, mas não suporto te ver sofrer. Não tenho certeza se você vai achar que é desculpa esfarrapada ou vai entender o que eu sinto. Não sei.
   Você acha que é passado pra mim... Você nunca vai ser passado na minha vida. Nunca. É o que eu sempre digo pra todos que ainda perguntam de nós. Eu aqui, você aí e aqui no meu coração. Você é tão bonito e eu amo cada centímetro seu. Mas, as tuas palavras, tuas atitudes , teu jeito incrível de meninão responsável me fizeram te amar mais. O som do teu riso ecoa na minha cabeça e me enche de saudade. Uma saudade grande, amor. Daquelas que me deixam exausta, com insônia, vendo imagens de nós dois no escuro, sem vontade de levantar da cama, com vontade de fumar, de tomar um ice, de chorar. Daquelas que desbotam o colorido que eu tinha. Daquelas que me deixam no branco-e-preto. Daquelas que me tiram o brilho, a luz, o riso. Porque esses sorrisos todos que você vê, são falsos. Essa autosuficiência toda é fachada. Porque a droga do meu coração ainda bate adoidado por você. Porque tudo que eu quero, eu quero contigo. E eu odeio ter que fingir que eu estou bem. Tenho que parar de fingir. Tenho de seguir. Você já está seguindo.

[...]





"Foram tantas brincadeiras, tantas conversas, tantas risadas e olhe agora. Nem conversamos mais."
Caio Fernando de Abreu.


quinta-feira, 13 de outubro de 2011

Desde os 6 anos

[...]
Pensavam que realmente sabiam alguma coisa dela. Não sabiam. Talvez do que achavam que seria ela, mas estavam enganados.
[...]
Ela não podia culpá-los.
[...]
Eles não podiam culpá-la.
[...]
Só queria ser compreendida. Muito. Mas não deixava. Nunca.
[...]

segunda-feira, 10 de outubro de 2011

sexta-feira, 7 de outubro de 2011

Os dias mais doloridos

   Sabe o que me passou pela minha cabeça ontem a noite? Que talvez você estivesse pensando em mim. Como em milhares de vezes em que eu estava quase apertando a tecla Enviar e a mensagem era adiada porque naquele exato instante você me ligava. A gente tinha isso mesmo, né? Uma sintonia bacana. Em tudo. Na cama, então, era perfeito, lembra? Talvez não. Mas a minha cabeça pirada achou que você talvez lembrasse. Só porque eu te liguei 62 vezes. E 62 vezes eu desliguei. Estava sentindo falta do meu coração ficar agitado e bater descompassado ao ver teu nome na tela, e pensar que ouviria tua voz... Isso é tolice de uma adulta com espírito de adolescente e sei que você não tem tempo pra essas coisas.
   Dormi e acordei com tua imagem e nossos momentos de risada gostosa na lembrança. Gargalhei de saudade e chorei como uma criança. Você deve lembrar desses meus altos níveis de bipolaridade. Lembrei da tua orelha e de como você olhava no fundo dos meus olhos pra ver se eu estava mentindo, da maneira como você me fazia tão bem, como ninguém nesse mundo vai me fazer, e da tua vontade de ter um filho e planejar absolutamente tudo, como se ele já estivesse chegando. Lembrei de tanta coisa, tanta, e junto do sorriso, veio um aperto no peito esmagando tudo. Sim, eu chorei de novo. Ando frágil, principalmente nestes dias em que você mais ocupa minha mente.
   Você deve pensar se pensar  que eu não sinto nada, nem um pouquinho, ou não senti... Você nem sabe que eu vomito sentada no chão do banheiro, chorando, com nenhuma gota de álcool, só tristeza e arrependimento...Você nem desconfia que minha cabeça ameaça explodir quando minha ficha cai e percebo que te perdi pra sempre. Eu fico doente de saber que não vou mais te chamar de amor, que outra pessoa vai, e que o que nós iríamos fazer, você vai fazer com alguém que nunca vai sentir por ti o que eu sinto. E sei que mereço isso. Mas, não é o que eu queria.
    Sei o que você pensa de mim. E você está errado. Você está certo. Você... Você sabe que eu te amo? Que eu ainda te amo? Eu te amo sim. E isso está me matando, porque eu te quero demais. Esse amor é corrosivo, é ácido, porque você não está comigo. Não está e eu não posso te culpar. Euteamo.




"Daqui a 50 anos eu ainda vou saber seu nome e vou me lembrar de todas as vezes que você me fez sorrir..."

Caio Fernando de Abreu

segunda-feira, 3 de outubro de 2011

(Re)volta

Eu queria te mandar para o inferno.
Te odiar.
Eu até poderia.
Se você não fosse minha vida,
E eu não estivesse esperando a tua volta.