Vermelho, amarelo, verde

   Nos encontramos ainda. Depois de alguns anos. Uma vez só. Foi no vermelho do semáforo, que rapidamente atravessei a faixa. Estranho foi o acelerar do coração naquela hora, mas só cai em  mim quando parei na calçada e como em um segundo solto no tempo, olhei para a pessoa atras do volante do primeiro carro de uma fila enorme. Eu já devia saber o porquê do coração trêmulo, palpitando em desordem, sacudindo sangue pra todo o corpo. Eu já sentira o peso desse olhar tantas vezes... leve, interrogativo, compreensivo... Mas, aquele olhar... Aquele, eu não sabia dizer.
   O outro sinal anunciou atenção e imaginei que essa seria a última
vez, de uma vez por todas, que o via. E como se ouvisse o som forte dos segundos antes que os carros seguissem, me virei para continuar andando. Não seria deixada novamente, prometi.
   O sinal abriu e a fila imensa seguiu destino. Ah!, também seguiria o meu. A pé, que fosse! 
   O coração foi desacelerando. Pensamentos e respiração voltando ao normal.
   Andaria mais distraída no futuro, pensei. 
   Sem parar.
                        Sem esperar.
                                                Precisava seguir.






Comentários

  1. Que texto lindo, Simone!
    Embora traga um certo sofrimento, mostra também que não devemos parar de seguir nosso caminho em função de quem não quer o seguir ao nosso lado...
    Gostei muito!!
    Beijoos!!

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  2. Nem imagina o tamanho do meu medo com relação a esse reencontro, moça. Mas adorei a tua leveza ao mostrar que ir, sem olhar pra trás, nem sempre é tão difícil.

    Um cheiro.

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  3. Esses encontros e desencontros do coração nos deixam malucas! O melhor mesmo é seguir em frente

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