Somos o que fizemos para não mudar o que éramos...


   Pela segunda vez, a campainha soou. Ela olhou rapidamente o relógio da cômoda. 12:18. Levantou-se abrindo preguiçosamente os olhos e amarrando o cabelo ainda úmido. Girou a chave e abriu a porta, e o vento gelado da noite a envolveu, assim como a surpresa, as lembranças e a inquietação... E à medida que a avançava no corredor de piso vermelho, mais o portão parecia distante. Do lado de fora, ele esperava, olhando ela se aproximar.
   -Santo Deus, como ele está lindo!, ela pensou com as mãos trêmulas e achando que o chão se movia.
   Abriu o portão, sem saber exatamente o que dizer. Olharam-se e se envolveram num abraço apertado, urgente. Em silêncio ela deu passagem pra que ele entrasse arrastando a mala preta. Atravessaram o longo corredor e a conversa que tiveram depois, foi a mais cautelosamente superficial possivel. Sim, era preciso evitar qualquer desentendimento, aproximação ou volta ao passado. (...) Ao contrário do que pensava , estava vulnerável diante da presença dele ali e teve de lutar consigo mesma para frear aquelas gotas quentes e impróprias que turvavam sua vista.
   -O que ele estaria pensando enquanto tomava banho?
   Ela não saberia... Como também não soube obedecer as próprias ordens de manter distância, pois a proximidade dos dois, quando ele sentou-se ao seu lado na rede vermelha, os traiu. Ele tentou beijá-la, mas ela evitou, abraçando-o. Pensou que não queria vê-lo de novo, julgando que seria mais difícil, no entanto, sentia-se estranhamente feliz por tê-lo ali ao seu lado. E sabia com toda a certeza, que tudo que sentia por ele, agora ganhava mais força. E não pode mais evitar quando ele tentou beijá-la novamente.
   Se (re)encontraram.
   No olhar, na voz, no beijo e na madrugada que passaram juntos. E entre respirações irregulares e suspiros, sentiram que não seriam mais só memórias.

Comentários

  1. posso até dizer que sei como se sente, e me dirias que não sei, porque agora concordo quando dizes que só o dono da dor sabe o quanto dói...

    seguindo sempre, de longe e de perto....
    bjuu

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  2. Gostei.
    É lindo reencontros, e mais lindo é vivenciar de uma forma boa o que estava quieto na memória.

    Seguindo também, flor.
    Beijos :*

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  3. Sei como é os reencontros da vida... Posso dizer que já passei por um parecido, não tão lindo quanto esse que você descreve!
    Seguindo seu blog e retribuindo a visita! :)
    Beijo.

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  4. Bonito seu texto. E viva aos reencontros que o acaso nos proporciona. Ou o destino. Quem sabe?

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  5. Com certeza a cada dia o tempo estar mais curto e as pessoas vive um dia pensando no outro, sendo que o certo e viver um dia de cada vez!!

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