E quis ignorar o tempo.
    Quis fazer o que desse vontade, engavetar algumas obrigações, sem pensar ou se preocupar. Quis viver mais.
    A ideia de largar tudo e sair por aí, pra longe, o agradava, brincar com o passado, deixar tudo correr silenciosa e intensamente... abrigado por muitas ruas, e pela lua... Já se imaginava além, muito além de toda a razão que guiava seus passos e sentiu alegria.
    E foi com esse sorriso sereno, bobo, que o primeiro pensamento o encontrou: teria coragem? Teria força pra deixar também todos os seus medos?
      (...)
    As dúvidas foram surgindo e de repente, com elas, a noite. E ao descer da madrugada, o tempo, como um senhor distraído e sem paixões, o ignorou completamente.


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