sábado, 30 de abril de 2011

Alegre e triste

    Quem poderia imaginar que a borboleta teria tanta dificuldade em abandonar o casulo se o que ela desejava desde lagarta era voar? O bater das asas a encantava. A liberdade a fascinava. Sonhava rasgar o invólucro que a fizera crescer para atirar-se no mundo lá fora que a esperava cheio de outras borboletas e cores e sonhos. Mas ela, com suas asas ainda presas, virgens, não se movia. Olhava o futuro à sua frente, sentia o tempo, sua vida breve passando, mas continuava ali.
     (...)
    Uma menina, um dia, achou um casulo cheio, e surpresa, encontrou um par de asas extremamente belas. E ela o colocou dentro de seu livro preferido, entre as páginas branquíssimas. Queria lembrar disso quando crescesse. E isso de alguma forma, meio estranha, meio fantástica, a deixou com uma sensação desconhecida. E ela sentiu seu coração alegriste.


 





















P.s: Sempre há muito mais por trás de simples palavras. Tanto, que às vezes nosso coração alegriste, mal consegue expressar...

segunda-feira, 25 de abril de 2011

Além-ar/infinito

Todas as pessoas prometeram estar sempre ali, apesar de tudo. Juraram nunca me deixar e disseram que eu não ficaria sozinha.
E foram embora.
Você chegou em silêncio, me abraçou, me beijou, me amou...
Não precisou de muitas palavras, nem de promessas.
Você simplesmente permaneceu.


Não ir embora: Ato de amor e confiança.
(A menina que roubava livros)


quarta-feira, 20 de abril de 2011

Quando está escrito

Por que você tinha que se apaixonar logo por mim?
Por que escolheu logo eu pra sua vida inteira?
Tem ideia do quanto isso é perigoso pra você? Se envolver com a complicação em pessoa...?
Eu juro, não quero fazer seu coração chorar.
Não te quero triste.
Não te quero mal.
Mas você insiste. E vem.
E eu não quero te fazer sofrer.
Mas, não resisto. O que eu sinto é maior.
E te deixo vir. E ficar.


quarta-feira, 13 de abril de 2011

Além dos dias

Meu Deus, como pode ser? Estamos distantes... distantes demais. E consigo te ver. E te sentir. Parece que estou ao seu lado no sofá, enquanto você olha pro teto. E ouço seu coração bater descompassado, tão bagunçado quanto seu cabelo. E você simplesmente nem imagina que estou ali, com os olhos marejados, querendo te falar tantas coisas que estão acontecendo, coisas que tenho sentido e qualquer coisa, só pra te ouvir...
Parece que são suas mãos que passeiam no meu rosto quando estou impaciente e nervosa. Juro que é o mesmo toque, a mesma pele...
Sinto o seu cheiro tão perto, sua respiração.
Meu bem... você está realmente aqui?
Essa saudade está cada vez mais concreta, materializada...e eu, cada vez mais louca.


sexta-feira, 8 de abril de 2011

    E quis ignorar o tempo.
    Quis fazer o que desse vontade, engavetar algumas obrigações, sem pensar ou se preocupar. Quis viver mais.
    A ideia de largar tudo e sair por aí, pra longe, o agradava, brincar com o passado, deixar tudo correr silenciosa e intensamente... abrigado por muitas ruas, e pela lua... Já se imaginava além, muito além de toda a razão que guiava seus passos e sentiu alegria.
    E foi com esse sorriso sereno, bobo, que o primeiro pensamento o encontrou: teria coragem? Teria força pra deixar também todos os seus medos?
      (...)
    As dúvidas foram surgindo e de repente, com elas, a noite. E ao descer da madrugada, o tempo, como um senhor distraído e sem paixões, o ignorou completamente.