segunda-feira, 10 de abril de 2017

(Des)espera

Um campo de flores e a menina se nublando, vida não justificada embebida em tocar o silêncio de uma solidão perpétua, não importa quanta estranheza sintam, as flores ainda serão as flores e a menina ainda choverá à noite. Nenhum ar puro salva o sofrimento calado, a alegria parece indigna quando o sol começa a baixar e a contemplação dói a vista, o riso ausente ainda deita do lado da cabeceira dela porque a noite promete intimidade com o fracasso e o machucado interior expande. Não ensinaram como não esmagar o sonho, como tocar os dias sem a constante auto-sabotagem. Um campo de flores acolhe a menina, mas é arriscado demais se mover.
A vida pede continuação mas não dá pra fugir de si mesmo. Do que se é.

domingo, 1 de janeiro de 2017

Doendo em outro lugar

Inundações olhos afogados respiração labios atados noite desnutrida luzes cortadas breu
qualquer mar revolto é pouco e o peito sangra inexistindo lento um tormento um devaneio louco queda livre abutre rasgando a carne vida sem sentido sem alarde eu parto tu partes ele parte e a tristeza como um trem não espera vai e vem mudo sombrio atropela uma dor nivel um dois três por do sol penumbra morte enfim talvez...

segunda-feira, 14 de novembro de 2016

Espera




Plantei um sofrimento

Eu plantei uma dor
e rego pela manhã
à tarde
à noite 
Angustiada
Está brotando
Sem harmonia
Desabrigada
Sem poesia alguma
Plantei um espírito aflito

já está enraizado
o adeus.

sexta-feira, 9 de setembro de 2016

Je ne sais quoi

Traços riscados na parede suja e o amor enroscado com a mágoa acúmulos de hematomas contendo histórias esquecidas aos poucos a madrugada é sempre silenciosa e fria, mas hoje faz calor lagrimas fervendo ardendo os olhos o abismo claro cegando
quarto encolhendo claustrofobia
mudança sem norte corte
sutura, a amor não tem salvação 
nem cura

A gente fracassa
Se distancia

O amor me atordoou no fim do dia

sábado, 25 de junho de 2016

Labirinto

São meia noite e meia e o relógio avança mais são do que eu acordada vendo palavras ecoando no teto branco e implorando por um descanso que não vem. Dentro do peito pássaros selvagens bicam incansavelmente querendo sair, mas eu não entendo, o buraco já está grande demais e não os sinto indo embora. Quem sabe seja somente um massacre intimo pra me acompanhar na madrugada, no abrir e fechar das pálpebras exaustas em câmera lenta. Vida fodida.
Não há mais nada a dizer ou fazer.

quinta-feira, 14 de abril de 2016

Escombros

O dia acendeu.
Esqueci de amanhecer.
Aqui dentro ainda está tudo escuro.
O céu desabando lá fora
Olhos abrindo e fechando lentos
Interrogações esmagadas
Sopro afastando o sossego.
O amor ousou nos ferir.
Rotina, os dias são disputas.
Não suporto mais essa desordem.
O amor é uma completa desordem.
Eu o culpo
Culpo esse abriga-ninguém dentro do peito
O tempo rígido, o desencontro.
Eu divido esse silêncio dolorido com você.
O dia se escondeu.


"Fala: parece que mente...
Cala: parece esquecer..."
                                                                          Pessoa em Presságio